segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

ARGUMENTAÇÃO & PROPOSIÇÃO

INTRODUÇÃO
ARGUMENTAÇÃO
Desenvolvimento de um raciocínio com o fim de defender ou repudiar uma tese ou ponto de vista, para convencer um oponente, um interlocutor circunstancial ou a nós próprios.
A argumentação desenvolve-se em função de um destinatário, que influencia directa ou indirectamente a forma como evoluem os argumentos propostos. Argumentamos para persuadir alguém que, à partida, não partilha os mesmos pontos de vista ou as mesmas convicções que nós possuímos. Sem ferir a atenção do destinatário da argumentação, esta jamais poderá ser efectiva. É, pois, condição necessária o estabelecimento de um acordo que em nenhum caso pode ser tácito. A argumentação não é um acto de persuasão meramente psicológica de um auditório. Não nos serve nem a pretensão de eloquência de Isócrates nem a definição de Sócrates referida à tradição sofística da retórica como uma psicogogia ou "persuasão da alma" . Fedro inicia o "Diálogo sobre a Retórica" chamando a atenção para o seguinte: “Ouvi dizer que para quem deseja tornar-se um orador consumado, não se torna necessário um conhecimento perfeito do que é realmente justo, mas sim do que parece justo aos olhos da maioria, que é quem decide, em última instância. Tão-pouco precisa de saber realmente o que é bom ou belo, bastando-lhe saber o que parece sê-lo, pois a persuasão se consegue não com a verdade, mas com o que aparenta ser verdade.” . A estética da recepção de um discurso argumentativo exige uma outra filosofia.
PROPOSIÇÃO
Proposição é um termo usado em lógica para descrever o conteúdo de asserções. Uma asserção é um conteúdo que pode ser tomado como verdadeiro ou falso. Asserções são abstrações de sentenças não-lingüísticas que a constituem. A natureza das proposições é altamente controversa entre filósofos, muitos dos quais são céticos sobre a existência de proposições. Muitos lógicos preferem evitar o uso do termo proposição em favor de usar sentença.
Diferentes sentenças podem expressar a mesma proposição quando têm o mesmo significado. Por exemplo, "A neve é branca" e "Snow is white" são sentenças diferentes, mas ambas dizem a mesma coisa, a saber, que a neve é branca. Logo, expressam a mesma proposição. Outro exemplo de sentença que expressa a mesma proposição que as anteriores é "A precipitação de pequenos cristais de água congelada é branca", pois "precipitação de pequenos cristais de água congelada" é a definição de "neve".
Na lógica aristotélica uma proposição é um tipo particular de sentença, a saber, aquela que afirma ou nega um predicado de um sujeito.
DESENVOLVIMENTO
(PROPOSIÇÃO)
Proposições são usualmente consideradas como o conteúdo de crenças e outros pensamentos representativos. Elas também podem ser o objeto de outras atitudes, como desejo, preferência, intenção, como em "Desejo um carro novo" e "Espero que chova", por exemplo.
Também não é raro contrastar com a noção de proposição como conteúdo mental a noção de proposições russellianas. De facto, boa parte da discusão em torno da natureza da proposição, travada no século xx e contemporaneamente, oscila, e por vezes tenta conciliar, ambas noções.
Uma proposição é a afirmação de que algo é verdadeiro. De outro modo: uma proposição é uma afirmação que ou é verdadeira ou é falsa.

Usamos frases para exprimir proposições. Mas nem toda a frase é proposição: ordens, perguntas, conselhos só em casos especiais contêm proposições.
Exemplos:
1. As seguintes frases exprimem a mesma proposição:
o Está a chover.
o Esta llooviendo.
o It is raining.
o Il pleut.
2. As seguintes frases exprimem a mesma proposição:
o João ama Maria.
o Maria é amada pelo João.
Discussão: Faz sentido pensar numa proposição como o significado de uma frase. O significado de uma frase tem várias componentes:
• Denotação: o estado de coisas que a frase afirma ser o caso.
• Conotação: os sentimentos, ideias ou emoções provocadas pela frase no auditor.
• ênfase: a importância relativa que o autor atribui aos diferentes elementos da frase.
Por exemplo, na frase "O fogo enfurecia-se pelo monte" a denotação da frase é asserção de que um fogo ocorre no monte. A conotação é a de que isso deve ser temido (a palavra "enfurecia-se" implica cólera e perigo). O ênfase desta frase está no próprio fogo. Se tivéssemos escrito "Pelo monte enfurecia-se o fogo" o ênfase estaria no monte.
Os filósofos discutem bastante sobre o significado. Alguns dizem que o significado é apenas a denotação. Outros dizem que é a combinação apenas da denotação e da conotação. Outros ainda (incluindo Stephen Downes) dizem que o significado é a combinação dos três — denotação, conotação e ênfase.
Valor de Verdade
Uma proposição pode ter um dos seguintes valores de verdade:
• verdade
• falsidade
Os filósofos discutem muito sobre o que constitui a verdade. Por agora podemos usar uma caracterização muito simples:
• "P" é verdadeira se e somente se P.
• "P" é falsa se e apenas se não-P.
Exemplos:
• A proposição "A neve é branca" é verdadeira se e somente se a neve for branca.
• A proposição "A neve é branca" é falsa se e somente se a neve não for branca.
Por outras palavras, uma proposição é verdadeira se ela descreve correctamente um estado do mundo, e será falsa se descrever incorrectamente um estado do mundo. Isto é conhecido como A Teoria da Verdade de Tarski.









(ARGUMENTAÇÃO)
Oferecem-se neste apêndice alguns instrumentos complementares para a redacção e avaliação de argumentos. Os instrumentos aqui expostos são particularmente importantes para a redacção e avaliação de ensaios argumentativos em filosofia, onde o risco de errar não é amenizado pelos dados da experiência. Por este motivo, a ênfase é toda colocada nos argumentos dedutivos. O objectivo é oferecer aos estudantes, sobretudo os de filosofia, a possibilidade de exercer as suas faculdades críticas, argumentando a favor do que pensam acerca dos mais diversos problemas, teses e argumentos filosóficos.
A estrutura deste apêndice é a seguinte: as três primeiras secções tratam da validade de argumentos e da avaliação de condicionais; as duas secções seguintes apresentam duas falácias comuns que têm de ser detectadas e evitadas; introduz-se depois algum simbolismo lógico, assim como algumas regras de transformação, úteis para avaliar alguns argumentos filosóficos; o apêndice termina com dois exemplos de argumentos filosóficos que o leitor já pode agora avaliar, com os instrumentos oferecidos ao longo deste livro.
Validade e correcção
Um argumento dedutivo válido é qualquer argumento dedutivo que obedeça às regras da lógica, algumas das quais foram apresentadas no capítulo VI. A definição semântica de argumento dedutivo válido é a seguinte: um argumento dedutivo é válido se, e somente se, nos casos em que as premissas são verdadeiras, a conclusão também é verdadeira. Por exemplo:
Se o conhecimento é possível, os cépticos estão enganados.
O conhecimento é possível.
Logo, os cépticos estão enganados.
Dada a verdade das duas premissas, a conclusão é também verdadeira. Claro que se as premissas forem falsas, a conclusão tanto pode ser falsa como verdadeira. A validade dedutiva do argumento só nos garante a verdade da conclusão caso as premissas sejam verdadeiras. Por outras palavras, um argumento dedutivo válido garante que nunca podemos ter as premissas verdadeiras e a conclusão falsa.
Considere-se agora o seguinte argumento:
O mundo exterior existe.
O mundo exterior não existe.
Logo, Deus existe.
Pela definição dada, este argumento é válido, apesar de poder parecer o contrário. A indecisão nasce do facto de não ser possível atribuir a verdade simultaneamente às duas premissas, porque estas são inconsistentes. Mas já se torna claro o facto de este argumento ser válido se fizermos a seguinte consideração: precisamente pelo facto de as premissas não poderem nunca ser simultaneamente verdadeiras, segue-se que nunca podemos ter as premissas verdadeiras e a conclusão falsa. Logo, o argumento é válido, pois é isso precisamente que caracteriza os argumentos válidos.
Considere-se este outro argumento:
Deus existe.
Logo, o mundo exterior existe ou o mundo exterior não existe.
À primeira vista pode parecer que este argumento não é válido. Mas se tivermos mais atenção verificamos que se trata, de facto, de um argumento válido. Mais uma vez: dada a verdade da premissa, a conclusão pode ser falsa? Bom, é fácil ver que a conclusão nunca pode ser falsa. Logo, também não é falsa dada a verdade da premissa. Logo, é um argumento válido.
O objectivo destes dois exemplos de argumentos válidos que aparentemente não o são é distinguir a validade de um argumento da sua relevância. Apesar de os dois argumentos acima serem válidos, eles não são relevantes. Porquê? Porque o primeiro é válido à custa da inconsistência das premissas; e o segundo é válido à custa do facto de a conclusão ser sempre verdadeira. Temos assim de perceber que o que nos interessa num ensaio argumentativo, quer estejamos a escrevê-lo, quer estejamos a avaliá-lo, não é a validade dos argumentos tout court, mas um caso especial de validade, a que podemos chamar relevância. Assim, para decidir se um argumento é relevante, temos de usar a seguinte definição: um argumento dedutivo válido é relevante se, e somente se: 1) todas as premissas podem ser simultaneamente verdadeiras; 2) a conclusão pode ser falsa.
Perante um argumento dedutivo qualquer, o leitor deve usar a seguinte rotina para verificar a sua relevância:
1. Verificar se é um argumento válido, pela definição semântica dada.
2. Verificar se todas as premissas podem ser simultaneamente verdadeiras.
3. Verificar se a conclusão pode ser falsa.
Um argumento só é relevante se passar os três testes. Se passar apenas um ou dois, não é relevante.
Condicionais
As condicionais são canonicamente expressas na forma «Se..., então...». Mas a verdade é que existem muitas formas de exprimir condicionais. Esta secção oferece uma lista de algumas dessas formas.
O leitor deve recordar as regras 2, 4 e 6, assim como a regra C4: a clareza na exposição dos seus argumentos é fundamental. Algumas das formas de exprimir condicionais são de evitar, pois só servem para obscurecer o que de outra forma seria uma condicional facilmente compreensível — e também facilmente criticável. Esta secção é útil para avaliar argumentos cuja estrutura lógica está escondida (geralmente atrás de uma hecatombe lexical que impede o leitor de pensar, isto é, de avaliar criticamente o que o autor está a afirmar).
O primeiro facto: muitas vezes, o «então» é elidido, como em
Se Deus não existe, a ética não é possível.
que significa precisamente o mesmo que
Se Deus não existe, então a ética não é possível.
Outros factos menos evidentes:
Se A, então B
pode exprimir se como
1. A somente se B.
2. A só se B.
3. A implica B.
4. A só no caso de B.
5. A só na condição de B.
6. A é condição suficiente de B.
7. B é condição necessária de A.
8. B se A.
9. Só se B é que A.
Não se deve usar a lista acima para fazer variar a forma como, ao longo de um ensaio, se exprimem condicionais. Lembre-se da regra 6, que se aplica também às partículas lógicas: se começou por dizer «Se A, então B», não afirme de seguida «C só se D», para tornar o texto variado; afirme antes «Se C, então D». Um texto não é um espectáculo de variedades e a elegância literária não vale nada se for conseguida à custa da clareza, porque é uma forma luminosa para um conteúdo obscuro (é como um automóvel com uma excelente pintura, mas com o motor avariado).
O que costuma fazer mais confusão são as noções de condição necessária e condição suficiente. A lista acima permite saber exactamente o que é uma condição suficiente (a antecedente de uma condicional) e uma condição necessária (a consequente de uma condicional). Mas os exemplos seguintes tornarão claras estas noções:
Estar inscrito em Filosofia é uma condição necessária para passar a Filosofia. Mas estar inscrito em Filosofia não é uma condição suficiente para passar a Filosofia.
Ter 10 valores é uma condição suficiente para passar a Filosofia. Mas ter 10 valores não é uma condição necessária para passar a Filosofia.
Argumentos e condicionais
Muitos argumentos são expostos sob a forma de uma condicional, como
Se não existir livre-arbítrio, a responsabilidade moral não é possível.
Para avaliar a verdade de uma condicional usam-se precisamente as mesmas regras que se usam para avaliar a validade de um argumento. A diferença consiste agora em tomar a antecedente da condicional em vez das premissas, e a sua consequente em vez da conclusão. Assim, uma condicional pode funcionar como um argumento válido se, e somente se, nos casos em que a antecedente é verdadeira, a consequente também for verdadeira. Por outras palavras, uma condicional pode funcionar como um argumento válido se, e somente se, for uma verdade lógica.
Note-se que uma condicional pode ter antecedentes ou consequentes complexos:
1. Se Deus e o mundo existem, então Deus existe.
2. Se Deus existe, então Deus ou o mundo existem.
Nos casos de condicionais com antecedentes ou consequentes complexos, aplica-se a mesma distinção que já introduzimos anteriormente: para que se aceite uma condicional verdadeira como relevante é necessário que a sua antecedente possa ser verdadeira e que a sua consequente possa ser falsa. As duas condicionais anteriores são verdadeiras e relevantes, mas as duas seguintes não são relevantes, apesar de serem verdadeiras:
1. Se o mundo exterior existe e o mundo exterior não existe, Deus existe.
2. Se Deus existe, então o mundo exterior existe ou o mundo exterior não existe.




CONCLUSÃO
De uma forma conclusiva depois de um aárdua investigação a cerca deste tema que é muito pertinente, temos a dizer:
A argumentação tem como objetivo levar um indivíduo ou grupo a aderir a determinada tese (defendida pelo argumentador, por motivo de familiarização ou até mesmo por próprio capricho). O texto argumentativo deve possuir uma clareza na transmissão de idéias (concisão), podendo tratar de temas, situações ou assuntos variados. É constituído por um primeiro parágrafo curto, que deixa a idéia clara, depois o desenvolvimento deve referir a opinião da pessoa que o escreve, com argumentos convincentes e verdadeiros, e com exemplos que exemplifique uma confiabilidade e persuasão. Deve também conter contra-argumentos, de forma a não permitir a meio da leitura que o leitor os faça. Por fim, deve ser concluído com um parágrafo que responda ao primeiro parágrafo, ou simplesmente com a idéia-chave da opinião.
A argumentação surgiu em 427 a.C., na Grécia Antiga. Era denominada Retórica. Argumentar é a arte de convencer e persuadir. (persuadir+Argumentar=Convencer).
Falando da proposição, muitos filósofos e linguistas alegam que a noção de proposição é muito vaga ou inútil. Para eles, é apenas um conceito enganador que deve ser removido da filosofia e da semântica. Quine que a indeterminação da tradução impede qualquer discussão com sentido de proposições, e que as mesmas devem ser descartadas em favor das sentenças.
Todavia, como em réplica diz Alvin Plantiga (em The Nature of Necessity, Oxford:Clarendon Press,1974): "Na medida em que a alegada debilidade [a falta de um claro critério de identidade] pode tornar-se toleravelmente clara, trata-se de uma debilidade que proposições compartilham com eléctrons, montanhas, guerras -- e sentenças."
Na lógica chamada aristotélica ou tradicional, distingue-se proposição de juízo. A proposição é o enunciado verbal de um juízo -- tal como o termo é a expressão verbal de um conceito. A proposição é... uma sequência de palavras; o juízo é uma operação intelectual -- uma asserção afirmativa (Dostoievsky é um escritor russo) ou negativa (Não há bem que sempre dure), verdadeira ou falsa [na Lógica não são consideradas as frases interrogativas, as imperativas ou as vocativas/exclamativas, porque aquilo que expressam não pode ser considerado verdadeiro ou falso. Ex.: Vem cá! ou Quantos anos tens?]

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